MASTER GEAR ADAPTOR – o acessório que veio do Céu

Em 1993, juntando algum dinheiro que eu tinha ganho de presente, comprei o segundo videogame da minha vida e o primeiro portátil: o GAME GEAR, da Sega. Lançado três anos antes, o aparelho era um sonho de consumo na época. Portátil, tela colorida com iluminação própria, som estéreo com entrada para fones de ouvido, cartuchos que cabiam na palma da mão e games com qualidade de Master System. Apesar do fato de que o concorrente Game Boy da Nintendo vendia muito mais e fazia bem mais sucesso, do ponto de vista técnico o Game Gear dava de laço e era o máximo para a época, o equivalente do que hoje representa um PSP da Sony.No entanto, havia um problema:pouquíssimas locadoras (principalmente em cidades pequenas ou médias) trabalhavam com cartuchos de Game Gear. Isso era grave porque, naquela época,  as locadoras permitiam que os jogadores conhecessem uma gama maior de títulos gastando relativamente pouco (lembre-se: não existia nenhum tipo de pirataria para o console, muito menos “desbloqueios”, flash cards, memory sticks, cartões R4 e internet para baixar roms e rodar os jogos direto no aparelho). As locadoras eram as únicas alternativas à compra dos games, cujo preço era tão elevado quanto os jogos originais dos consoles contemporâneos. Para piorar, mesmo nas lojas a variedade de títulos que estavam disponíveis para o Game Gear não era muito alta (muitos games lançados no exterior nunca foram lançados por aqui). Era difícil achar uma loja que tivesse mais do que uma dezena de diferentes títulos do console à venda. Pelo menos aqui no Brasil, não apenas o preço era proibitivo como a variedade de games era limitada.

Assim, com todas as qualidades que o portátil tinha, ele acabava limitando o jogador, na prática, a contar com meia dúzia de games e nada além disso. Mas tudo iria mudar em 1994.

Um ano depois da compra do meu Game Gear, abro uma revista de videogame e vejo um anúncio da Tec Toy sobre o lançamento de um acessório chamado MASTER GEAR ADAPTOR (o nome original, fora do Brasil, era Master Gear Converter). Era um trambolho que você encaixava na entrada de cartuchos do Game Gear e que possibilitava usar, no portátil, os cartuchos do Master System, naquela época ainda um dos videogames mais populares no Brasil. Bom, desnecessário dizer que eu quase infartei quando li aquilo. O acessório literalmente transformava o Game Gear num Master System portátil, possibilitando o acesso aos títulos das locadoras e ao grande acervo de games de Master System lançados no país, que era muito maior do que o número de jogos lançados para o Game Gear. Comparando com a atualidade, seria mais ou menos como se não existisse pirataria para o PSP e, de repente, a Sony lançasse um acessório que permitisse que o PSP rodasse todos os jogos do Playstation 2. Compreende o valor do negócio?

Poucos meses depois, acabei ganhando o Master Gear Adaptor dos meus pais (eu provavelmente devo ter enlouquecido eles de tanto implorar por esse bagulho), e o resto foi só festa. Eu conhecia pouca gente que tinha Game Gear e que pudesse me emprestar alguns cartuchos, mas o número de pessoas que tinha Master System era muito maior. Além disso, eu agora podia desfrutar de todo o acervo das locadoras. Star Wars, Jurassic Park, Black Belt, Golden Axe, Phantasy Star, Sonic the Hedgehog, Spy vs Spy, Double Dragon, Moonwalker, Forgotten Worlds e E-Swat são alguns dos games de Master System dos quais lembro até hoje de ter alugado (ou de alguém ter me emprestado), e joguei vários desses até o final. Não posso deixar de citar, também, o inesquecível Prince of Persia do Master System, que ganhei de presente no Natal de 1994.


Uma curiosidade é que a caixinha do Master Gear Adaptor afirmava que o acessório “não era compatível” com cartuchos de 4 mega de memória. Na prática, isso seria uma grave limitação, pois impediria o acesso aos games mais sofisticados do Master, como Phantasy Star. No entanto, eu usei no aparelho vários cartuchos de Master System que tinham 4 megas e nunca tive maiores problemas (lembro apenas de alguns “glitches” visuais mínimos em Phantasy Star, em algumas telas, mas nada que atrapalhasse o jogo). Curiosamente, embora a caixa apresentasse tal advertência, a imagem frontal da caixa mostrava o aparelho rodando Sonic – The Hedgehog 2 do Master System, que é precisamente um cartucho com 4 mega de memória. Vai entender…

Em 1996, eu vendi meu Game Gear com todos os seus apetrechos (coisa da qual me arrependo amargamente até hoje), colocando um fim na era do portátil da Sega na minha vida. Mas foram anos de jogatina inesquecível da melhor qualidade, e com o conforto da portabilidade. Essa farra, sem dúvida, não teria sido tão divertida sem o Master Gear Adaptor. Valeu, Sega – e valeu, Tec Toy!!!

(As fotos foram todas “roubadas” de anúncios do Mercado Livre. Agradeço aos respectivos vendedores pelas imagens!)

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2 thoughts on “MASTER GEAR ADAPTOR – o acessório que veio do Céu

  1. ola caveira, cara vc tem toda a razão do mundo,meu nome é silvestry, meu eu ainda preservo meu master system 1 ,2 megas drive,2 sega cd ,2saturnos e um dreamcast. mas ainda desejo ter um game gear, com esse master gear apesar de estar na era do psp vita, pretendo ter um vc sabe e conhece bem o portatil da sega parabens pelo seu comentário vc é dos poucos q critica e poem defeito no portatil valeu abraço

  2. Apesar da sega ,ter errado em sua administraçao ao ponto de deixar muitos fãs na mão, pra não falir sempre vou manter meus cosoles muito bem cuidado até o fim da minha vida parte de minha recordação esta neles!

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