CAPTAIN AMERICA AND THE AVENGERS (1993, Mega Drive)


Acabou de ser lançado nos cinemas o novo filme da Marvel, Os Vingadores (The Avengers), e o negócio é bom demais – seguramente um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos. Para comemorar, nada melhor do que jogar o game baseado no filme. Deve ser um arraso, né? Com sorte, lançaram até mais de um jogo baseado nesse filmão e …

Peraí, espera aí um pouquinho! COMO ASSIM “não lançaram nenhum game baseado no filme”?!?

É isso mesmo, caros retrogamers. Para espanto e decepção dos gamers de todo o mundo, NENHUM jogo baseado no grande filmão do ano foi lançado. Isso aconteceu porque a produção do game (com versões previstas para Xbox 360, PlayStation 3 e PC) estava a cargo dos estúdios THQ Australia e Blue Tongue Entertainment, sendo que os dois foram fechados pela THQ, proprietária de ambos. Com isso, o game acabou cancelado.

Claro, nada impede que a Marvel venha a lançar algum jogo logo para capitalizar em cima do sucesso do blockbuster dos Vingadores. Mas pelo menos até o presente momento, o único jeito de ver esse grupo de super-heróis na tela dos videogames é … voltando ao passado! Felizmente, isso é o que nós fazemos de melhor por aqui. Portanto, limpem bem os pés antes de entrar no nosso DeLorean voador e lá vamos nós, voltar para o começo dos anos 1990.

Estamos no verão de 1993. Num belo dia de tédio na praia, comprei a mais recente edição da saudosa revista Videogame (a história dessa edição eu já contei nesse post aqui, lembram?). Um dos games destrinchados na publicação era Captain America and the Avengers do Mega Drive.


A primeira coisa que me chamou a atenção é que eu já conhecia um game de mesmo nome lançado para o Nintendo 8-bits, e que aliás eu achava bem legalzinho. Explico: a Data East lançou o jogo originalmente nos arcades, em 1991, e depois lançou versões dele para Mega Drive, Super Nes, Game Gear e Game Boy. Todos eram basicamente adaptações simplificadas do original do arcade, exceto pelo game do NES, que era um jogo de plataforma completamente diferente, embora estrelado pelos mesmos personagens e ostentando o mesmo título.


Pelas fotos na revista, o jogo parecia interessante. Algum tempo depois, ainda na praia, eu tive oportunidade de jogá-lo … e gostei! Os gráficos não eram nenhum assombro e o jogo não era uma revolução nem nada do tipo, mas na época, com meus 11 anos de idade, fiquei particularmente satisfeito com as brigas em cenários urbanos e com a diversidade das fases. O game tem fases de sair dando soco no meio da rua, de sair voando e atirando em inimigos pelos céus, fases subaquáticas, no espaço e por aí vai. Devo dizer que, na época, eu gostei bastante.


Uma análise um pouco mais atenta do jogo, é claro, não deixa dúvidas no sentido de que a minha tenra idade me impediu de enxergar alguns defeitos mais óbvios do game. Os gráficos mais parecem saídos de um console de 8-bits, a música e efeitos sonoros são ruins (as vozes digitalizadas são piores do que as do clássico Altered Beast), a jogabilidade é confusa e pouco precisa e a animação é mal acabada, com cara de “frame skipping”.

Basta ver que a própria revista Videogame (que era uma “mãe” com quase todos os games) na época deu nota 6 para os gráficos, 6 para a música/efeitos sonoros e 7 para a diversão. Ou seja, nem a habitualmente deslumbrada publicação brazuca se convenceu com a estreia dos Vingadores no Mega Drive. Logo na tela de abertura, quando você ouve uma voz dizer “VÃ AVÂNGÃRS” no que parece ser o Capitão América com a boca cheia de paçoquinha, já dá pra perceber que os aspectos técnicos do jogo deixam a desejar.

Na trama do game, o terrível Caveira Vermelha (o mais tradicional inimigo do Capitão América), sempre afinzão de dominar um pouco de mundo, coloca sob seu comando uma equipe de super criminosos prontos para espalhar o caos por todo o globo. O pior de tudo, no entanto, é que tudo isso é só uma distração. O verdadeiro problema é que o ominoso vilão está terminando de construir uma terrível arma gigante laser em pleno solo lunar. Quando pronta, essa super arma dará ao Caveira vermelha o controle absoluto sobre o destino da Terra. Só quem pode impedí-lo, é claro, é o grupo dos heróis mais poderosos da Terra, Os Vingadores!

Mas não fique tão animado ainda. Se o seu plano era sair por aí detonando bandidos com o Hulk ou o Thor, prepare-se para um balde de água fria: a equipe dos Vingadores que aparece nesse game não é a mesma do filme. Viúva Negra, Thor e Hulk estão ausentes nesse game. Aqui, o supergrupo é representado por apenas quatro heróis: Capitão América (de longe, o melhor personagem), Homem de Ferro, Arqueiro e o misterioso Visão, uma espécie de andróide que mais parece o C3PO de capa e cueca por cima das calças.

A variedade de cenários nesse game permite uma boa variação também na mecânica do game, alternando entre beat’em up e tiro/aventura. Os personagens pequenos e gráficos desinteressantes até não comprometeriam tanto o conjunto da obra se a jogabilidade não fosse tão sofrível. O Captain America and the Avengers do Mega Drive é um “button-smasher” absolutamente sem cérebro, estratégia ou precisão. A movimentação dos personagens também acaba não ajudando muito.

Apesar desses defeitos nada perdoáveis, algo que sempre me agradou nesse game foi a sua capacidade de reproduzir com competência uma atmosfera de história em quadrinhos. A ação variada do game, cheia de idas e vindas e bizarrices (rola até um combate com um polvo gigante robótico!) realmente dá a impressão de que o game é uma HQ dos Vingadores se desenrolando na tela. Não é um trabalho realizado da melhor forma possível, mas os fãs de quadrinhos – e principalmente do Capitão América e dos Vingadores – certamente se divirtirão com o jogo, caso consigam ao menos sobreviver à primeira fase!

Longe de ostentar aquela qualidade de visual e de gameplay de games de super-heróis daqueles tempos, como por exemplo o sensacional War of the Gems (1996, Super Nes), esse Captain America and the Avengers pelo menos coloca o jogador no controle de uma aventura repleta de ação no melhor estilo das grandes aventuras das HQs. Sem falar que socar o Caveira Vermelha é sempre um estímulo reconfortante!

Não cheguei a jogar as versões do Game Gear e do Game Boy, mas desconfio que são bem inferiores à do Mega Drive – que já estava longe de ser perfeita. Recomendo certa cautela, portanto. A versão Super Nes é um pouco melhor acabada quanto aos efeitos sonoros e apresentação da história no começo do game, mas é essencialmente o mesmo jogo do Mega Drive, sem melhorias muito significativas.

Claro, há ainda o exclusivo Captain America and the Avengers do Nintendo 8-bits, mas isso já é história para uma próxima vez!

8 pensamentos sobre “CAPTAIN AMERICA AND THE AVENGERS (1993, Mega Drive)

  1. Sempre curti esse jogo nos fliperamas (e tenho a versão do Mega Drive).

    Nos fliperamas, era extremamente difícil.
    Já no Mega Drive, mesmo jogando no modo “hard”, era bem fácil terminar o jogo.
    Acho que esse foi o grande pecado da versão do Mega Drive: não tinha muito desafio.
    Lembro que comprei o jogo e, na primeira partida (no modo “easy”) já cheguei no último inimigo, o Caveira Vermelha.

    Enfim, como todo beat’em’up, era bacana de jogar com um amigo.

    Além de dar risadas com as frases pronunciadas no jogo.

    E a frase-chave desta resenha é: “Capitão América com a boca cheia de paçoquinha”…

  2. “A versão Super Nes é um pouco melhor acabada quanto aos efeitos sonoros e apresentação da história no começo do game, mas é essencialmente o mesmo jogo do Mega Drive, sem melhorias muito significativas.”

    O quê?????????????????????? Vc tá loco? Vc jogou a versão de Snes??????

    O jogo no Snes é praticamente injogável!!!!!! Os controles não respondem, os gráficos ficaram estranhos, ficou uma super porcaria!

    Dá uma conferida depois. A versão de mega drive é infinitamente superior!

    • Prometo que até vou jogar de novo a versão do Super Nes depois de ler o seu comentário. Sempre achei as versões meio equivalentes, vou dar uma conferida de novo no do Super Nes, pois sou bem mais habituado com a versão do Mega. Abraço!

      • É verdade. Contrariando a tradição, realmente a versão de Snes ficou muito inferior a versão de Mega. Controles odiosos que tornam este game praticamente “unplayable” no 16 bits da Nintendo.
        Algo mais ou menos parecido acontece com o jogo Pit Fighter. Enquanto no Mega ficou um port excelente, no Snes não existe a menor possibilidade de jogo.

  3. O do Snes é porco mesmo. os inimigos ficam piscando e invenciveis quando acertados, e o jogador não !!!! Assim o computador massacra os herois, um defeito imperdoável !
    a fim de parceria entre blogs? se estiver, o meu é :www.telejogos.blogspot.com

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