GHOSTBUSTERS II (1990, NES)

E chegamos ao fim de 2011! Para comemorarmos o Ano-Novo que se aproxima, nada melhor, evidentemente, do que um game ambientado numa passagem de ano! Ou melhor, um game baseado num filme ambientado numa passagem de ano. Ainda que, nesse caso, o Reveillon em questão esteja ameaçado pelo fantasma de um antigo tirano dos Cárpatos do século XVII. E quem você irá chamar?!?

Opa, mas peraí um pouco … Ghostbusters II?!? Mas esse foi o game que nós destrinchamos no Reveillon do ano passado! Hmmmm …  o problema é que não é fácil encontrar games cujas tramas sejam ambientadas nessa época do ano. Além disso, no ano passado, nós analisamos o game nas suas versões para microcomputadores MSX e Spectrum. A versão do NES é completamente diferente. Bem, fazer o quê, então? É Reveillon no Cemetery Games e aqui vamos nós, mais uma vez, brindar a chegada do Ano-Novo com um game baseado no segundo filme dos Caça-Fantasmas. Hora de tirar a poeira das mochilas protônicas, pessoal!


Lançado em 1990, o Ghostbusters II do NES, assim como o game do MSX/Spectrum, é de autoria da boa e velha Activision. Algumas poucas similaridades podem ser percebidas no jogo do NES em relação à versão dos microcomputadores, como a fase da Estátua da Liberdade atirando em fantasmas inimigos e uma primeira fase ambientada nos esgotos de Nova York. De resto, no entanto, o game do NES é completamente diferente, tanto em jogabilidade quanto em gráficos.


A trama é a mesma do filme: estamos em dezembro de 1989 e os Caça-Fantasmas voltam triunfantes depois de um período de cinco anos de decadência, em virtude de uma nova onda de aparições sobrenaturais que assola Nova York. Por trás desse caos fantasmagórico está Vigo, um tiranete dos Cárpatos cujo espírito encontra-se aprisionado em um quadro cafona num museu da cidade. O antipático fantasma planeja reencarnar e dominar o mundo na virada do Ano-Novo, mas terá o seu Reveillon espectral estragado pelos Ghostbusters!


O game começa promissor, com uma tela título legal e uma boa sequência de introdução, que mostra o Ecto-1 (o carro dos Ghostbusters) anunciando a volta do grupo pelas ruas da cidade. Depois que o jogador seleciona o modo 1 player ou 2 player, uma nova sequência mostra o fantasma do terrível Vigo. Passamos, então, para os Caça-Fantasmas cavando um buraco no meio de uma das mais movimentadas avenidas da cidade e descendo pelos esgotos, onde descobrem algumas sinistras passagens subterrâneas contendo uma poderosa gosma ectoplásmica vermelha (o “slime“), a fonte do poder sobrenatural de Vigo.


É aí, desde cedo, que o Ghostbusters II do NES começa a decepcionar. Os gráficos são decentes para os padrões do console, mas os sprites dos personagens – tanto dos heróis quanto dos fantasmas inimigos – são pequenos e pouco detalhados, mais parecendo com algo saído de um jogo lançado para algum console portátil da época, como o Game Boy ou o Game Gear. A jogabilidade exige alguns minutos de treino para ser assimilada, mas não é propriamente ruim.


O que realmente esgota a paciência nesse game do Nintendo 8-bits é a dificuldade excessiva. O jogador conta com as vidas de todos os quatro Ghostbusters, mas eles não têm barra de vida. Ou seja: foi atingido, morreu. Na prática, isso significa que você irá encarar a tela de GAME OVER tão logo leve quatro míseros “hits”.

Talvez o objetivo da coisa tenha sido dar “realismo” ao jogo. Se era essa a intenção, os desenvolvedores podiam pelo menos ter se dado ao trabalho de mudar o sprite dos personagens a cada vez que eles morrem e são substituídos por outro colega. Independente de com qual Ghostbuster você esteja jogando e de quantos já tenham morrido, o seu personagem sempre se parece com o Peter Venkman. MUITO realista, Activision! Além disso, até onde eu sei, todo ser humano pode sofrer alguma quantidade de dano físico antes de vestir o paletó de madeira – e portanto uma barra de energia é muito mais realista do que punir o jogador com a morte de um dos personagens cada vez que qualquer porcaria acerte nele. Como “prêmio de consolação”, o jogador pode ganhar uma vida extra caso consiga coletar VINTE símbolos do grupo ao longo de cada fase, o que é quase tão difícil quanto atravessá-la sem sofrer danos. Quanta generosidade!


Na segunda fase, os desenvolvedores do jogo aparentemente tomaram algumas liberdades criativas, já que esse nível não possui correspondência com nenhuma cena do filme. Nela, o jogador deverá guiar o Ecto-1 pelas ruas de Nova York, evitando armadilhas com lanças, gigantescas crateras e atirando em fantasminhas que mais parecem figurantes de trem-fantasma infantil. Apesar do completo nonsense em termos de narrativa, a fase é divertida e a variedade na jogabilidade vem a calhar. Pena que, assim como ao longo de todo o game, a dificuldade excessiva acabe prejudicando tanto a diversão.


Aliás, “liberdades criativas” é um termo que se aplica bem ao Ghostbusters II do NES como um todo. Algumas dúvidas dignas de nota: por que a primeira fase tem scroll da direita para a esquerda, quando o esquema clássico de 99.99% de todos os games do estilo andar-e-atirar é justamente o contrário? Por que o carro dos Ghostbusters possui a peculiar capacidade de PULAR? Por que só os fantasmas verdes podem ser destruídos, sendo que os amarelos desfrutam de uma aparente invulnerabilidade? E por que a esquecida galeria subterrêna de despacho pneumático Van Horne, mostrada no filme, aparece nesse game com enormes ESCADAS ao fundo? Por que os Ghostbusters precisariam cavar um buraco no meio de uma avenida central de Nova York se podiam descer lá por escadas?!?


Apesar do desafio geral do jogo ser excessivo, as dificuldades encontradas pelo caminho não chegam a ser injustas, requerendo apenas muito treino e insistência da parte do jogador (o que é pedir muito, considerando a baixa quantidade geral de atrativos desse jogo). Onde a Activision REALMENTE viajou na maionese foi na última fase, que – além de ser naturalmente a mais difícil do game – precisa ser terminada pelo jogador nada menos do que QUATRO vezes, com cada um dos personagens (embora, novamente, todos tenham a mesma fuça e sejam idênticos)! Provavelmente fizeram isso para “dar realismo” ao jogo …


O Ghostbusters II do NES tem seus atrativos, e os retrogamers fãs dos filmes certamente farão questão de conhecê-lo. Mas o problema que atirou o jogo na lata de lixo da obscuridade e do esquecimento é bastante óbvio: faltou empenho por parte da Activision.

Trata-se de um jogo visivelmente “matado”, feito às pressas. Todas as fases de “correr e atirar” são virtualmente idênticas, mudando basicamente o cenário de fundo e os ataques dos inimigos, assim como a quarta fase (com o Ecto-1) é essencialmente idêntica à segunda. Faltou um design mais elaborado de fases, um confronto final com Vigo (que é automaticamente derrotado depois que a última fase é vencida quatro vezes seguidas), uma jogabilidade mais piedosa com o jogador e um capricho maior com os gráficos. No entanto, levando em consideração o fiasco abominável que era o primeiro game dos Ghosbusters no NES (a versão do console é uma das piores de todas, confira a análise desse clássico game clicando aqui), este Ghostbusters II pelo menos representa uma evolução considerável e um título capaz de render alguma diversão para os fãs dos filmes.


Bem, era isso, caros retrogamers! Mais uma vez, é fim de ano e derrotamos o terrível Vigo – A Escória da Carpátia, O Lamento da Moldávia. O mundo está a salvo mais uma vez. Feliz Ano-Novo para todos! Nos veremos novamente em 1990, digo, em 2012!

FELIZ  2012 !!!

4 pensamentos sobre “GHOSTBUSTERS II (1990, NES)

  1. Nunca me interessei por esse jogo… e agora vejo que foi bom isso ter acontecido ^_^

    O primeiro é ótimo, eu sei, mas eu tenho trauma com ele. Eu tinha no MSX, o jogo vinha sem manual e eu não conseguia entender como jogar, rs… era moleque, ia fazendo tudo no chute, nunca progredia, he he…

    • Meu trauma com o Ghostbusters de MSX é diferente.

      Eu tinha o jogo em fita cassete e a mídia estava com defeito. Sendo assim, o jogo travava sempre que eu ia passar para a última fase.

      Só algum tempo depois, quando consegui uma cópia do jogo em disquete, pude contemplar a última fase, passar pelo Stay Puft e ver o final do jogo.

  2. Eu ainda tenho esse jogo. Ganhei do meu melhor amigo na época e por lembrar desse tempo e dessas amizades da infância que se perderam foi o único jogo q me restou de todos os consoles/jogos q já tive. Aliás é o próprio q está me fazendo fortemente pensar em comprar um NES pois jogar no emulador definitivamente não é a msm coisa…Lembro q zerava esse jogo(quando a “maldita” fase da estátua deixava…kkk
    Abraços a todos.

  3. Meu Deus! Quanta saudade dos anos 80. Foram maravilhosos. O melhor era quando íamos trocar as fitas(isso mesmo, os jogos eram as fitas) com outras pessoas. Que bom

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