PRINCE OF PERSIA (1992, Master System)

Feliz Natal, caros retrogamers! O Cemetery Games andou meio devagar nos últimos meses em virtude da finalização do meu mestrado, mas agora nós retomaremos o ritmo habitual e muitas velharias gamers preciosas nos aguardam no futuro próximo. E, para comemorar o Natal, aqui vai a análise de um excelente game que eu ganhei de presente no já distante Natal de 1994: a versão Master System de um dos maiores clássicos da história dos videogames, o lendário Prince of Persia.

Prince of Persia surgiu primeiramente nos microcomputadores Apple II, em 1989, e no ano seguinte saiu também para os PCs (essa versão para DOS era de longe a mais popular aqui no Brasil no começo dos anos 90). O jogo deixava todo mundo de queixo no chão em virtude de sua atmosfera, da qualidade gráfica, da movimentação impressionante e detalhada do personagem protagonista e do estilo de jogo pouco usual. A influência de Karateka (game anterior do mesmo designer, Jordan Mechner) era visível, mas Prince of Persia era ainda mais ambicioso e diferente. Não era nem um jogo de sair dando tiros, nem de dar porrada, nem de sair matando inimigos e passar de fase, nem RPG, nem propriamente um adventure. Podemos definí-lo como um game de plataforma de aventura, com alguns momentos de combate e até um pouco de puzzle, mas principalmente pautado pela habilidade do jogador em realizar saltos precisos, escapar de armadilhas e correr contra o tempo. É mais ou menos como se o game fosse um precursor bidimensional da Lara Croft e seu Tomb Raider.

A versão do Master System foi uma grata surpresa, e surgiu no Brasil bastante tardiamente, por volta de 1993 ou 1994 (o game era novo nas lojas quando eu o ganhei de presente), embora tenha sido lançado no exterior um ano antes. O que mais chama a atenção é que essa conversão fica devendo muito pouco à versão dos PCs (que era considerada a versão “original” por aqui naquela época). Em termos de detalhamento gráfico, a versão do Master chega a ser superior àquela em alguns aspectos, ficando um pouco atrás apenas na animação do sprite do protagonista e no scroll das telas. Surpreendentemente, as tochas, paredes e pisos, bem como as cores em geral, estão bem melhores no Master System do que nas versões Apple II, PC, Amiga e Macintosh.

A versão do Master também dá de relho na versão do Nintendo 8-bits, que ficou bastante feia em virtude do excesso de cores roxa (!) e azul claro. Aliás, é digno de nota o fato de que a maioria desses games do final da vida útil do Master System (Prince of Persia, Sonic 2, Land of Illusion, Mortal Kombat II, Star Wars, Jurassic Park, etc) são todos muito bons para os padrões do console.

Como eu jogava os games do Master System no meu Game Gear (usando o adaptador Master Gear Converter), eu podia desfrutar de nada menos do que Prince of Persia num portátil, o que era um verdadeiro luxo para a época (vale lembrar que, naquele tempo, eu ainda babava na versão do PC). O Game Gear recebeu uma versão do jogo virtualmente idêntica a do Master, mas até onde eu sei ela não foi lançada aqui no Brasil. Por essas bandas, Prince of Persia num portátil, naquela época, só com o cartucho do Master no Game Gear por meio do adaptador. Falando em portabilidade, Prince of Persia saiu também para o Game Boy, numa versão bastante decente para os padrões do velho portátil da Nintendo, mas visualmente muito inferior ao game do Master System.

A história do game, supondo que exista algum retrogamer que não a conheça, é a seguinte: o Sultão da antiga Pérsia se ausentou por motivo de guerra, e o seu Grão-Vizir, um maléfico feiticeiro chamado Jaffar, aproveita o ensejo para tomar o trono. Para tanto, ele precisa apenas se casar com a bela filha do Sultão. O problema é que a garota está apaixonada por um jovem joão-ninguém da plebe, que é prontamente atirado nos calabouços do castelo real por ordem de Jaffar, tão logo ele toma conhecimento da existência desse inconveniente rapaz. Agora, o jovem pretendente da filha do Sultão tem apenas uma hora para escapar dos calabouços, chegar até os aposentos de Jaffar, derrotar o feiticeiro golpista e salvar a sua amada. O problema é que a masmorra na qual o jovem foi preso é um verdadeiro labirinto de pisos quebradiços, quedas fatais, armadilhas traiçoeiras, soldados armados com espadas e por aí vai.

A caixinha e o cartucho do Prince of Persia do Master System eram assim aqui no Brasil

O Prince of Persia do Master System foi um presente de Natal do qual jamais esqueci. Foi a minha chance de finalmente botar as mãos em um dos meus games favoritos de todos os tempos, numa versão excelente e que merece ser conhecida por todo e qualquer retrogamer que seja fã do bom e velho videogame de 8-bits da Sega.

O legado de Prince of Persia ainda iria muito longe: o jogo ganhou versões para tudo o que é máquina de rodar games que se possa imaginar (Atari ST, Amstrad CPC, Sam Coupe, Sharp X68000, Turbografx-16, Super Nes, Sega CD, Mega Drive e Commodore 64, fora os remakes para consoles mais recentes), gerou a continuação Prince of Persia 2 – The Shadow & The Flame em 1993 (que saiu apenas para DOS, Super Nes, Macintosh e para as obscuras plataformas FM-Towns e PC-9821), fez uma má transição para gráficos tridimensionais em 1999 com o fracassado Prince of Persia – Arabian Nights (para Windows e Dreamcast) e então foi ressuscitado pelo sucesso imenso de Prince of Persia – The Sands of Time (2003) e dos dois games que o sucederam (Warrior Within, de 2004, e The Two Thrones (2005). Depois dessa bem sucedida trilogia, que fez uma transição competente da atmosfera do velho clássico para os videogames modernos, mais alguns games surgiram para levar a franquia adiante, mas tudo isso é história para uma outra ocasião.

Os fãs do Master System podem se gabar: o Prince of Persia do console é seguramente a melhor versão 8-bits do clássico de Jordan Mechner. Entre uma infinidade de versões de Prince of Persia, este game do Master sobrevive como uma daquelas que merece ser conhecida por todos nós, retrogamers de plantão.

Apple II

IBM-PC (DOS, gráficos VGA)

Nintendo 8-bits

Master System

10 pensamentos sobre “PRINCE OF PERSIA (1992, Master System)

  1. Ótima matéria para este jogo clássico!
    Conheci esta maravilha em janeiro de 1993, através da versão do Super Nintendo. Na época eu e um primo alugamos o SNES e algumas fitas para jogar no final de semana. Ainda estávamos na era Atari.
    Cara, que choque visual ver aquele personagem e aqueles cenários. Parecia desenho animado para os nossos olhos ainda não iniciados na geração 16 bits. Foi paixão a primeira vista.
    A versão do Super Nintendo tinha algumas fases e personagens extras, além de uma música arrasadora. Era um desafio viciante que nos prendia madrugadas a fio.
    Em outubro de 1993 eu já tinha ganho o Meu Mega Drive e estava procurando desesperadmente o cartucho do Prince. Acabei achando a versão do Master System nas Americanas e ganhei de presente da minha mãe. Acreditem: só por causa deste jogo eu comprei um adaptador para rodá-lo no Mega Drive.
    Depois, com o advento dos emuladores acabei conhecendo quase todas as versões existentes do Prince. Realmente a versão do Master é a melhor dos 8 bits. Mas, sem dúvida nenhuma a melhor de todas, na minha modesta opinião, é a do Super Nintendo. Merecia uma matéria exclusiva aqui no Cemetery (até me candidato a colaborar…rs).
    Um abraço e um ótimo 2012 para todos!

  2. Cara, eu amo Prince of Persia. Comecei num PC monocromático, ainda moleque. Levei uns dias para terminar e fiquei apaixonado. Hoje sou ainda mais louco pelo Sands of Time (melhor final de game EVER, na minha opinião). Tudo bem que depois fiquei horrorizado com o Warrior Within, mas não vamos falar de coisas tristes, né?

    Caso não conheça, também recomendo a versão do Super Nintendo que o Eduardo mencionou. É incrivelmente boa, e na minha opinião é disparada a melhor versão de Prince of Persia. Só a música da abertura já ganha o jogador.

  3. Muito bom,

    mas talvez seja melhor abrasileirar o nome do seu blog, Cemitériodosgames talvez. Afinal, estamos no Brasil e este tipo de review só aqui pode existir.

    Abraço.

  4. Game que não pode faltar na galeria de nenhum gamer, com certeza! Joguei muito essa versão, e como vc mesmo disse, a plataforma que mais se adaptou a essa pérola foi o Master. Outro grande post, parabéns!
    Abraço!

  5. Ótimo sem sombra de dúvida a melhor versão lançada até então, o game não é fácil mas compensa cada segundo jogado

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