HOWARD THE DUCK (1987, MSX)


Existe uma velha máxima muito conhecida entre jogadores de videogames: jogos baseados em filmes costumam ser porcarias. A rigor, o alerta ainda é válido nos dias de hoje. Mas pode acreditar: lá nos idos dos anos 80, a coisa era MUITO pior. Muita coisa muito, muito ruim era lançada nas prateleiras das lojas de jogos eletrônicos apenas para parasitar o nome e o apelo comercial de filmes que faziam sucesso nas bilheterias. A má-fama dos “movie games” já nasceu forte, através do fracasso retumbante do infame E.T – The Extra Terrestrial (1982) do Atari 2600, e ao longo dos anos foi se fortalecendo por obra e graça de lançamentos miseráveis como Raiders of the Lost Ark (Atari 2600), Back to the Future (todas as versões – NES, MSX, Spectrum – são horríveis), Ghostbusters (NES), Predator (NES), Rambo (NES), dentre outros.

Mas, se filmes ótimos e bem sucedidos dão origem a games ruins, como seria um game baseado num filme MUITO ruim, que fosse um fracasso completo de bilheteria? A resposta é simples: o jogo seria tão ruim – talvez ainda pior – do que o próprio filme. Duvida? Aí está Howard the Duck para provar que o que é ruim sempre pode ficar pior!


Howard the Duck, o filme, é uma bomba lançada em 1986 e – pasmem! – produzido por ninguém menos do que George Lucas. O personagem surgiu originalmente nos quadrinhos nos anos 70 e fez um certo sucesso, motivando a equivocada e infeliz adaptação cinematográfica que se revelou um dos filmes mais ridículos dos anos 80. Na “trama” (se é que dá pra chamar assim o roteiro), Howard é um pato humanóide que vive em Duckworld, um planeta de criaturas como ele. Por alguma razão físico-quântica mal explicada, o “herói” vem parar na Terra, acaba se envolvendo com uma roqueira fracassada e tem que enfrentar um maligno alienígena que também veio parar no nosso mundo, o sinistro Dark Overlord.

Por alguma razão que escapa por inteiro à razão humana, a Activision aparentemente imaginou que essa tremenda porcaria iria fazer sucesso nas telonas, e resolveu produzir um game baseado no filme para alguns microcomputadores oitentistas: Amstrad CPC, Commodore 64, MSX e Spectrum. E, talvez enciumada pelo fato de que um dos cineastas mais competentes da história da Sétima Arte foi capaz de produzir um dos piores filmes de todos os tempos, a Activision resolveu mostrar que uma produtora de games renomada e conhecida pela qualidade de seu trabalho também era capaz de fazer um game abominável. O resultado: Howard the Duck, o game – um jogo que, de fato, nunca deveria ter saído do ovo.


Até onde eu lembro (sim, com muita vergonha eu admito que vi esse filme horrível), não havia nenhuma ilha deserta na película. Por algum motivo, a Activision achou que seria legal ambientar o game numa ilha deserta (vai ver que o jogo ser protagonizado por um pato antropoformizado não era inusitado o suficiente). A desculpa é que o Dark Overlord teria sequestrado a amiga humana de Howard e levado ela até a ilha. Então tá, né?

De cara, Howard the Duck até aparenta ser uma experiência agradável. Os gráficos são bastante bons e caprichados (exceto pela versão Spectrum, que é meio feiosa, as outras são mais ou menos esquivalentes em termos de visual). A ausência de música e som também não chega a incomodar muito. Os verdadeiros problemas, no entanto, aparecem logo no primeiro minuto de jogo. Você começa a mover Howard pela ilha e rapidamente chega na água, perto da qual o personagem irá avisar que “não sabe nadar” (mas que espécie de pato idiota é esse?). Para atravessar a água, você precisará de um item do outro lado da floresta. Para chegar lá, precisará atravessar uma coisa amarelada (talvez um lago ou lodaçal, embora o troço sinceramente mais pareça uma grande poça de xixi). E daí, meu amigo, aparece o grande problema desse jogo: pular!


Sim, pular! Apesar da movimentação de Howard ser um pouco tosca e desajeitada, mover o personagem não chega a ser problemático. Os golpes de Howard são igualmente desajeitados, mas também acabam saindo com alguma insistência. Agora, PULAR é realmente um problema muito sério nesse jogo. Tão sério que, na época que eu tinha esse game no meu MSX, não lembro se consegui passar pela terceira tela do jogo. Hoje, embora eu consiga fazê-lo, sou obrigado a admitir que ainda não sei explicar exatamente como é que se faz para fazer Howard saltar (tem algo a ver com fazer o personagem vir caminhando e então pressionar a barra de espaços o mais rapidamente possível, mas com apenas um toque). A impressão que dá é que o único jeito de fazer isso é tentar uma dúzia de vezes e rezar para que, em algum momento, o jogo resolva computar que você foi bem sucedido em alguma das tentativas. É, a jogabilidade realmente é ruim a este ponto.


Caso você não perca a paciência e abandone o jogo para sempre antes de conseguir executar os malditos pulos de Howard, a aventura que lhe aguarda pela frente é basicamente uma caminhada pelas florestas da ilha, sendo que eventualmente o nosso herói precisará dar uns sopapos em alguns agressivos nativos do lugar. Em dado momento, Howard encontra um pequeno avião (ou algo parecido) que precisa ser pilotado até o cume do vulcão da ilha, dentro do qual o jogo passa para uma pequena fase com visão lateral.

                             A parte do avião, na versão do Commodore 64.
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Embora meu progresso nesse game sempre tenha sido praticamente nulo (hoje em dia, pelo menos eu já consigo passar da terceira tela do jogo), li algumas informações sobre o game que sugeriam que ele só poderia ser inteiramente completado no modo de dificuldade mais elevado. Não sei, no entanto, se há algo depois da fase do vulcão. Até onde me foi possível pesquisar, creio que a resposta é um sonoro “não”.

                                                          Entrando no vulcão (C64)
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Em síntese: Howard the Duck, o game, é um joguinho feito às pressas, que pode ser finalizado em 10 minutos (caso o jogador domine a “arte” do pulo) e que poderia até render uma experiência medianamente agradável, caso os bons gráficos não fossem completamente eclipsados pela jogabilidade contra-intuitiva, precária, irritante e completamente frustrante. Parece difícil de acreditar, mas mesmo gênios como George Lucas e a Activision, às vezes, podem errar feio – e muito!

                                  Chegando na parte interna do vulcão (C64)

Enfrentando o Dark Overlord. Hey, quem é que deu um lança-mísseis para esse pato?!?  (C64)

Howard “desliga” o vulcão (?) e é fim de jogo! Como seria bom se fosse possível atirar dentro da lava vulcânica o disquete contendo esse game!

7 pensamentos sobre “HOWARD THE DUCK (1987, MSX)

  1. Hehehe, aprecio a sinceridade!😀 Vou confessar que tenho algum carinho pelo filme também, pois tem a produção do meu ídolo George Lucas e é estrelado pela Lea Thompson, atriz pela qual eu era apaixonado por causa do papel dela no clássico “De Volta Para o Futuro”. E você tem razão numa coisa: pior do que o abominável filme “Super Mario Bros” não é … hehehe!

  2. Eu joguei essa bomba no MSX na época. Por algum motivo eu sempre me sentia atraído a tentar novamente, acho que eram os gráficos que me seduziam. Mas é uma porcaria mesmo!

    E o filme… aquela cena de romance entre a moça e o pato… traumatizado para sempre.

  3. Como o Gagá afirmou, os gráficos seduziam. Eram gráficos competentes para o padrão do MSX e o jogador acabava simpatizando com o personagem. E para mim, os gráficos (e a temática de “labirinto na selva” ou algo assim) lembravam (bem de longe) o clássico Sabre Wulf do Spectrum.

    A questão do pulo: realmente era preciso paciência para aprender a pular. Se não me engano, era preciso tomar certa distância, então mover o personagem e pressionar a barra de espaço (quanto mais tempo ela ficasse pressionada, mais alto seria o pulo).

    Na época, só terminei a primeira fase. Até porque pouco joguei no modo expert (e quando joguei, a paciência foi pouca).

    Para quem tem curiosidade de ver a fase do vulcão no MSX, mas não tem paciência para jogar, eis o mapa do jogo, retirado do excelente MSX Solutions:

  4. Eu tive esse jogo na época e nunca tive muita paciência com ele. Achava bem feito e tal, mas nunca me animei a jogar muito. Nem me lembro dessa fase do vulcão que vc citou, acho q nunca cheguei nela rs

    • Só dava pra acessar a fase do vulcão jogando no modo Expert, ao que parece. O problema desse jogo nem era o pulo por cima das poças de mijo, que depois de um tempo e insistência, a gente acabava pegando o jeito…. O problema real era atravessar a correnteza do rio no modo expert, que era praticamente impossível devido a necessidade de MASSACRAR barra de espaço o mais rápido possível, no melhor estilo “Decathlon”…
      Muito joguei esse game, admito. Mas só terminava no modo normal de dificuldade, aí nunca cheguei a ver a fase da caverna.

      • Bah, parabéns Jorge, tu foi MUITO mais longe do que eu então hehehe.😛

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