MEMÓRIAS RETROGAMERS DE VERÃO: REVISTAS DE VIDEOGAME NA PRAIA – Parte Final

E já que o verão 2011 está acabando, vamos para a quarta e última parte do nosso Especial Revistas de Videogame na Praia.

Dessa vez, nós vamos voltar para o verão do ano de 1993, em algum ponto entre janeiro e fevereiro. Estou com 11 anos de idade e passando férias na casa da praia em Balneário Atlântico, próxima de Torres (RS). Provavelmente entediado até a alma pelo tédio absoluto de dias e dias sem ter nada para fazer (naquela época eu não tinha MP3 player, notebook ou console portátil para me entreter), peguei minha bicicleta e pedalei até a praia vizinha, Rondinha, onde havia uma banca de revistas (é, você entendeu direito, a minha praia era TÃO minúscula que não tinha nem uma banca).

Chegando lá, dou de cara com a última edição da revista VIDEOGAME. A irresistível capa exibia a arte de Out of This World, game que até então eu ainda não tinha jogado mas sobre o qual já havia lido (numa revista CPU que falava da versão do microcomputador Amiga). Além disso, tinha o Homem-Aranha, o Capitão América, Tom & Jerry e Street Fighter II (naquela época, o fabuloso “istríti” era o assunto dominante em todas as conversas no pátio da escola, durante os recreios). Então eu peguei os trocos que tinha no bolso (não deve ter sobrado muita coisa) e comprei a revista.


Uau, essa foi uma edição inesquecível da Videogame! De cara, a revista começava com um anúncio: “Nessas férias, viaje num Super Nintendo“. “Quem me dera!”, eu pensava.

Logo adiante, rolava uma reportagem de página inteira sobre a Menacer, a bazuca do Mega Drive, que vinha acompanhada de um cartucho com seis minigames ordinários. Mas na época eu era completamente desprovido de senso crítico e tudo soava como maravilhosas novidades, então eu lia sobre aqueles jogos de lançamento do acessório – “Space Station Defender“, “Ready, Aim Tomatoes” e coisas do tipo e ficava genuinamente impressionado.


Na sequência, uma página que jamais esqueci: a relação dos “videogames do ano  de 1992 nos EUA”, segundo a então prestigiosa revista Eletronic Gaming Monthly. Naquela época, qualquer notícia vinda dos EUA soava como uma mensagem intergaláctica vinda diretamente do Planeta da Tecnologia Avançada. Não era como hoje, em que pessoas ao redor de todo o mundo assistem previews e reviews em vídeo na internet, todos ao mesmo tempo, independentemente de estarem em Nova York ou na Ilha da Páscoa!


A matéria informava que Street Fighter II tinha sido eleito o jogo do ano entre todos os sistemas (“oh, que surpresa!”), jogo do ano do Super Nes e ainda que havia ganho na categoria “melhor final”. Sonic 2 ganhou como jogo do ano para Mega Drive, sendo que a versão Game Gear ganhou como jogo do ano para consoles portáteis. Teenage Mutant Ninja Turtles III ganhou como game do ano para NES, enquanto que Super Star Wars foi escolhido como a melhor adaptação de filme para game do ano. Em uma única página, a matéria apresentava um verdadeiro desfile de games imperdíveis!

Vamos à seção de notícias da revista: a Capcom anunciava Street Fighter II Champion Edition nos arcades (olha o “istríti fáiter” aí de novo!) e a Nintendo anunciava um novo chip que integraria alguns cartuchos de Super Nes, chamado SFX. É, meus amigos, Starfox estava quase vindo ao mundo! A parte irônica é ler que “a Nintendo japonesa adiou, mais uma vez, o lançamento de seu CD-ROM (o leitor de jogos em CD para o Super Nintendo)”. Será que a gente entra na máquina do tempo, volta para 1993 e avisa o pessoal da revista que nós estamos em 2011 e que, pelo menos até agora, o tal CD-ROM do Super Nes nunca foi lançado?


E olha a surpresa mais adiante: o tão falado Game Genie, o acessório que permitia usar cheat-codes nos jogos do NES, sendo lançado oficialmente no Brasil pela CCE! Cara, esse Game Genie deu o que falar na época. A Nintendo chegou a processar a fabricante do acessório – que nunca foi licenciado pela empresa – alegando que ele “reprogramava” indevidamente os jogos do console. Também, considerando que os jogos do NES eram infernalmente difíceis (na sua grande maioria), não me espanta que alguém tenha pensado em ganhar dinheiro tornando aqueles games sádicos um pouquinho mais acessíveis para o jogador médio.


A revista apresentava um detonado de três páginas de Captain America and the Avengers do Mega Drive. Eu lembro que olhava as fotos e achava que o jogo deveria ser MUITO legal! Tinha o Capitão América, o Homem de Ferro, o Arqueiro, o Caveira Vermelha, um robô gigante, um polvo mecânico que atacava no fundo do mar. Até cheguei a jogá-lo algum tempo depois, e na época confesso que achei o game razoável, embora hoje ele me pareça uma bela porcaria.

Jennifer Capriati Tennis no Mega Drive? Hmmmm, eu NUNCA gostei de games de esportes (salvo raríssimas exceções). Passo. O que mais temos nessa edição? Super One on One – Jordan vs Bird. Outro game de esportes? Passo também!


Uau, agora sim! Uma matéria de página única exibe as “primeiras imagens” de Young Indiana Jones do Mega Drive. Os gráficos eram lindos e o jogo prometia mesmo. Chego a ter vergonha de admitir que, até hoje, não tirei um tempinho para conhecer esse game cujas fotos me impressionaram tanto na época …


Na sequência, vinha um detonado de quatro páginas do Out of This World do Super Nes, mostrando cenas de todo o jogo, com seus gráficos então revolucionários. Era de babar, não tem outra coisa que eu possa dizer além disso. Era ler os textos, ver as fotos e ficar sonhando acordado para que Deus fizesse um Super Nes se materializar ali na minha frente!


Uma matéria de duas páginas ensinava uma série de “apelações” (não se usava por aqui a palavra “combo” ainda) com o Ryu em Street Fighter II (sim, ele DE NOVO). Logo em seguida, duas páginas mostrando o excelente Super Double Dragon do Super Nes (adoro esse jogo!). Após, um detonado de Spider-Man – Return of the Sinister Six do NES. Eu adorava o Homem-Aranha naquela época, e babei muito em cima de cada foto desse game, imaginando que deveria ser maravilhoso e divertidíssimo. Muitos anos depois, eu finalmente fui jogar esse game e … bem, digamos que ele não é tãão bom assim. Tá, eu admito, a jogabilidade é péssima e o jogo é fraquinho. Tá, tá, é ruim PRA CARAMBA! Também, até a Videogame (que era uma mãezona na hora de avaliar os jogos) deu, naquela época, nota 6 para o jogo (e nota 5 para os gráficos) …


Para meu espanto completo – e reformulando tudo o que sabíamos sobre videogame até então – a revista apresentava uma matéria sobre o game Metal Slader Glory do NES, o primeiro jogo do console a contar com OITO megabits de memória! “Uau, mas como é possível???? Todo mundo sabe que o NES só tem jogos de até quatro megas!“. Pra mim, foi um choque. E mais chocante ainda é constatar, quase vinte anos depois, que esse revolucionário game jamais foi lançado fora do Japão. Dá pra acreditar?


A seção da revista dedicada ao Master System trazia detonados de Tom & Jerry – The Movie e da versão para o Master de The Simpsons – Bart vs the Space Mutants, game que havia sido uma febre um ano e meio antes, quando foi originalmente lançado para o NES. Já a seção Game Boy exibia Super Mario Land 2 e Mega Man 3, e vocês não fazem ideia do quanto aquilo me fazia tremer de vontade de ter um Game Boy. Mega Man e Super Mario, num videogame portátil? Fala sério, eu provavelmente teria dado a minha alma por um Game Boy com esses cartuchos …

Num lance sobrenatural de premonição, a matéria seguinte era sobre Batman Returns do Game Gear, e aqui pelo jeito as minhas preces renderam, pois cerca de seis meses depois eu ganharia meu Game Gear e um dos três games que o acompanhavam era precisamente … Batman Returns! Êita nóis!


Por fim, me lembro de ter ficado absolutamente perplexo e embasbacado com o fotorealismo das imagens do game Heart of China do PC. E não estou exagerando ao falar em “fotorealismo”, pois o jogo era um adventure basicamente constituído de fotografias exibidas em gráficos VGA, que tinham uma qualidade suprema para a época. Falar de PC, naqueles tempos, era algo como falar de bruxaria, de alquimia, de entidades superpoderosas que estavam restritas ao alcance de uns poucos miliardários. Vocês podem achar que estou exagerando (e talvez eu esteja), mas é mais ou menos assim que uma criança de 11 anos enxergava um PC 286 ou 386 com monitor VGA naquela época.

Lá no final da revista, aparecia um anúncio dos joysticks da série Pro da Chips do Brasil. Poucos meses antes, eu havia ganho meu microcomputador MSX Expert, da Gradiente, e o joytick que eu usava nele era um Pro-1 dessa linha, que imitava o design do joystick original do Mega Drive.


Bem, caros amigos retrogamers. Acabou o verão 2011 e, com ele, chega ao fim a nossa retrospectiva em quatro partes sobre as minhas memórias das velhas revistas que alegraram meus verões passados. Relembramos revistas de 1993, 1992 e 1991, ou seja, coisas de quase vinte anos atrás. Bons tempos, em que Mega Drive e Super Nes eram o suprassumo da tecnologia e em que o Nintendo 8-bits e o Master System ainda eram consoles empolgantes e cheios de vida. Espero que vocês tenham apreciado essas breves memórias compartilhadas tanto quanto eu gostei de dividí-las com vocês. A história dos videogames continua em permanente evolução e, no que depender dos retrogamers de plantão, o passado glorioso dos games jamais será esquecido. Até a próxima!

8 pensamentos sobre “MEMÓRIAS RETROGAMERS DE VERÃO: REVISTAS DE VIDEOGAME NA PRAIA – Parte Final

  1. Essa eu tenho , é demais!!
    A qualidades das fotos impressas na Videogame foi por muito tempo a melhor. Gosto da parte das dúvidas dos leitores e os famosos classificados “troco Master System com 15 fitas, 3 controles, pistola, óculos 3d + Bicicleta Caloi Cross, por Mega Drive com pelo menos 1 fita”

  2. maravilhoso relembrar com tantos detalhes dessa época em que cada joguinho e cada sistema nos empolgava tanto e nos faziam sonhar com o momento em que teríamos cada um deles em nossas mãos!

  3. Sensacional.

    Ainda tenho essa revista.

    Realmente, eram essas revistas que faziam nossa imaginação e desejo por games atingir o nível máximo, principalmente quando apresentavam matérias com os futuros lançamentos.

  4. Eu adoro esses seus posts… você passa muito bem as sensações da rapaziada ao comprar as revistas da época.

    Por falar em Street Fighter II, eu me lembro de quando comprei a GamePower nº1, que tinha SFII na capa. Eu comprei porque estava sonhando em adquirir um SNES (ia demorar ainda…), e nunca tinha nem ouvido falar no jogo (eu não frequentava arcades). Nem imaginava que diabo de jogo era aquele para o qual a revista dava tanto destaque!

    Ainda assim, eu li e a coisa me pareceu tão interessante que acabei comprando, meses depois, meu SNES com Street 2. E definitivamente não me arrependi, arrisco dizer que eu não poderia ter comprado jogo melhor para o meu SNES.

    • E aí, Gagá! Obrigado pela força, fico muito contente que você tenha gostado desse pequeno compartilhamento de boas memórias de infância hehehe. Realmente, não dá pra resgatar o passado da cena brasileira de games sem deixar de fora as revistas nacionais, que eram uma parte importantíssima (muito mais do que hoje) de toda a cultura criada em torno dos games. Mas pretendo fazer uma nova série “do you remember” de revistas antigas para os próximos meses, pois ainda restam diversas publicações que foram marcantes para mim e sobre as quais eu gostaria de dividir algumas memórias com os visitantes habituais do Cemetery Games. Grande abraço!

  5. essa revista é uma reliquia que guardo até hoje… não tem valor.
    Eu reconheci essa revista apenas por causa do conteúdo, pois a minha está sem capa

    sempre que eu leio essa revista (e não fico enjoado de ler sempre as mesmas materias), me lembro dos bons e melhores tempos dos videos games

  6. Pingback: CAPTAIN AMERICA AND THE AVENGERS (1993, Mega Drive) | Cemetery Games

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