TWO CRUDE DUDES (Mega Drive, 1991)

Ali por volta de 1991 ou 1992, fui certo dia na maior e melhor (e possivelmente a única) locadora de videogames da minha cidade. Além de cartuchos de Atari, NES, Master System, Mega Drive e Super Nes para alugar, haviam alguns consoles disponíveis para jogar (pagando, é óbvio). Um outro fedelho como eu estava jogando um game em um Mega Drive, e me convidou para jogar com ele (ou eu estava jogando e deixei ele jogar junto, realmente faz muito tempo para lembrar dos detalhes…). O jogo era TWO CRUDE DUDES, lançado originalmente nos arcades pela Data East e convertido para o Mega no mesmo ano (nos arcades, o título original japonês era Crude Busters, sendo que ele foi batizado de Two Crude em outros países).


Two Crude Dudes é o típico beat’em up do final dos anos 80 e começo dos 90, protagonizado por heróis brutamontes com pinta de bad boy, trocando socos, chutes e voadoras com gangs de criminosos em cenários urbanos distópicos. De cara, a diferença mais visível é que Two Crude Dudes se leva menos a sério do que outros jogos do estilo, e possui um certo nível de irreverência e humor.


O tom pouco sério do jogo já começa pela trama rocambolesca (que, apesar de tudo, não fica assim tão longe da média das histórias dos games beat’em up da época). É o seguinte: o jogo se passa no futuro, no ano de … 2010! Ei, como assim? Bom, deixa pra lá, eu é que estou ficando velho …


No ano de 2010, a cidade de Nova York sofre um ataque nuclear de procedência desconhecida e é completamente destruída, transformando-se numa terra perdida de ruínas. Vinte anos depois, o governo norte-americano inicia um processo de limpeza e revitalização da cidade, mas descobre que a arruinada metrópole foi tomada por uma gangue de maníacos bem armados chamada Big Valley (certamente o pior nome de gangue que eu já vi na minha vida).

Só Deus sabe por quê, mas – para derrotar esse terrível exército de arruaceiros – o governo opta por contratar dois brutamontes, cada um com Q.I menor do que o número do próprio tênis, para que a dupla se infiltre nas ruínas de Nova York e destrua a gangue inteira usando apenas os próprios punhos. Fica até difícil saber se a ideia era parodiar o gênero ou se a Data East apenas achou que essa era uma premissa aceitável para um game (o mundo era um lugar mucho loco naqueles anos Schwarzenegger).


Além da trama acéfala, outro aspecto divertido do jogo é a forma como os nossos heróis recuperam suas energias. Ao final de cada fase, o jogador é colocado numa sala com uma máquina de Power Cola, e precisa encher a máquina de porrada para que ela libere umas latinhas de refrigerante para aplacar a sede dos personagens e restaurar suas energias. Boa sacada da Data East, que com isso escapou dos tradicionais itens de recuperar energia desse gênero de game, como é o caso do clássico frangão assado encontrado no meio da rua.


Two Crude Dudes não chegou a ser um grande sucesso, e para ser sincero é fácil entender a razão disso. Em 1991, já existiam games como Streets of Rage e Final Fight, que são incomparavelmente superiores a Two Crude Dudes em jogabilidade, ambientação, gráficos e, enfim, em absolutamente tudo. A jogabilidade de Two Crude Dudes não é (e nunca foi) grande coisa, com movimentos e golpes limitados e movimentação meio “dura” e tosca. O design de fases também não chega a ser uma maravilha, mas é impossível deixar de reconhecer que os gráficos eram bastante bons, principalmente no que diz respeito às cores e detalhes nos objetos e personagens.


A particularidade mais legal do jogo acaba sendo o fato de que o jogador pode agarrar praticamente qualquer coisa que aparece no cenário, incluindo veículos de grande porte. Poder agarrar uma pedra ou pedaço de pau aqui ou ali é coisa comum nesse estilo de jogo, mas em Two Crude Dudes quase tudo pode ser agarrado e arremessado contra os inimigos, incluindo carcaças de automóveis, postes que os heróis arrancam do chão e até mesmo os próprios inimigos, que podem ser erguidos e atirados contra outros bandidos.

Aliás, falando nos inimigos, eles são outra coisa que chama a atenção no jogo. Ao contrário de outros games semelhantes, em Two Crude Dudes o jogador não enfrenta apenas lutadores de rua convencionais, mas também uma ampla variedade de criaturas mutantes, dando a entender que essas criaturas bizarras são fruto de algum (ou mais de um) tipo de mutação causada pela radiação. Assim, não estranhe se você estiver arrebetando as fuças de um chefão e ele, do nada, se transformar em um lobisomem!


Two Crude Dudes não foi um marco para sua época, não gerou uma trilogia e estava longe de ser o melhor beat’em up daqueles tempos. Mas era um game no nível da média dos arcades da época, convertido para o Mega Drive com grande fidelidade, e é divertido tanto no modo single player quanto jogando com um amigo. Sem falar que não é todo dia que se vê um game protagonizado por dois marombeiros com essas caras de mongolões e viciados em refrigerante. Vale à pena conferir.

3 pensamentos sobre “TWO CRUDE DUDES (Mega Drive, 1991)

  1. Para 1991 estava de bom tamanho…

    Como já fora dito: não havia como concorrer com Streets of Rage (principalmente o 2)

  2. Parece maneirinho e além disso e mais uma alternativa aos Classicos na hora de voltar aos fantasticos beat up.

  3. “Só Deus sabe por quê, mas – para derrotar esse terrível exército de arruaceiros”

    LOL ^_^ É verdade!

    Ainda não joguei este, mas ouvi dizer que é bem divertido. Qualquer dia experimento aqui no megão.

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