KNIGHT RIDER (NES, 1988)

Bom, já que o último game que eu resenhei era baseado no Esquadrão Classe-A, uma das melhores séries de TV dos anos 80, o próximo passo lógico é seguir para o outro marco televisivo da época. Miami Vice? Bem, provavelmente é a série definitiva daquela década, principalmente em termos de estética, trilha sonora e feeling, mas eu não olhava Miami Vice quando era criança. Não custa lembrar que a série era bastante violenta e “pesada” para os padrões da época, e certamente não era voltada para o público infantil. Então, tirando Miami Vice e Esquadrão Classe-A, a grande série de TV dos anos 80 era ….

… acho bom você não responder “Alf, o E.Teimoso“, nem “Super Gatas“, nem “Punky – A Levada da Breca“!!!

A série em questão, evidentemente, era KNIGHT RIDER, que chegou aqui no país como A SUPER MÁQUINA. O seriado foi ao ar nos EUA entre 1982 e 1986 (mas eu via quando passava no SBT, mais para o fim dos anos 80) e fez muito sucesso. A história girava em torno de um policial que é dado como morto, recebe uma cirurgia plástica e assume a identidade de Michael Knight, trabalhando para a Fundação Knight, mais especificamente para uma organização chamada FLAG (Foundation for Law and Government, Fundação pela Lei e pelo Governo), uma espécie de ONG defensora da lei e da justiça. Se você achou meio conservador esse troço do mocinho trabalhar para uma “fundação pela lei e pelo governo”, lembre-se que o seriado é do tempo em que os EUA eram governados pelo presidente republicano Ronald Reagan, ícone do conservadorismo americano. Reflexos da época …


Para ajudar Michael na sua cruzada solitária pela justiça, a Fundação Knight disponibiliza para o herói o KITTKnight Industries Two Thousand. KITT é simplesmente o automóvel mais avançado do mundo, equipado com uma inteligência artificial sem precedentes, blindagem de tanque, sistemas com recursos variados e armas diversas. Naquela época, o carro parecia uma nave futurista. Apesar do desenho do veículo ter ficado obsoleto, eu ainda acho aquele Pontiac Trans Am pretão a coisa mais linda. Se eu tivesse oportunidade, compraria um sem pensar duas vezes!

Bem, feita essa breve retrospectiva sobre a série, vamos ao game do NES, produzido pela Acclaim. A primeira coisa que chama a atenção é a data de lançamento do jogo: 1988. Esquisito, não? Se uma série de sucesso passa na TV entre 1982 e 1986, o natural não seria lançar um game dentro desse período, para capitalizar em cima do sucesso do show enquanto novidade que era? Que gente lerda e marcha lenta é essa, que só conseguiu lançar um game baseado no seriado dois anos depois do FIM da série? Vai entender!

A boa notícia para os fãs da Super Máquina é que o game está longe de ser tãããão ruim como o jogo do Esquadrão Classe-A lançado para Spectrum e MSX. A má notícia é que, apesar disso, Knight Rider é ruim. Bem ruim.


Após uma tela de apresentação competente, o jogador assume o papel de Michael Knight e recebe uma missão do velho Devon, o “chefe” do herói. Em seguida, uma tela mostra Bonnie – a engenheira gatinha que supervisiona KITT. Nesta tela, o jogador pode fazer alguns upgrades nos escudos, gasolina e motor do veículo. Feito isso, o game propriamente dito começa.

A primeira coisa que qualquer gamer das antigas vai pensar é “ué, já vi esse jogo em algum lugar”! E já viu mesmo: Knight Rider é uma cópia descarada do clássico Rad Racer do NES, só que com visão em primeira pessoa ao invés de visão “por trás do carro”. A outra diferença é que, em Knight Rider, você conta com armas e o enfoque do jogo não é na corrida, mas sim em abater os inimigos, sobreviver aos ataques deles e terminar cada missão com vida.

Rad Racer, grande sucesso do NES, lançado em 1987 (um ano antes de Knight Rider). “Será” que influenciou o game da Super Máquina?!?

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A ideia de colocar o jogador dirigindo KITT pelas mais diversas localidades dos EUA foi um ponto de partida interessante e fiel ao espírito da série de TV. O problema nesse game do NES é a repetitividade extrema. O game é bastante chato e são basicamente vinte fases muito semelhantes entre si, apenas com diferenças no cenário de fundo. A mecânica do game é sempre igual: desviar dos veículos azuis, abater os veículos vermelhos e evitar os disparos destes, abater os veículos verdes para ganhar itens e ir assim até o final da fase, quando há um confronto com um veículo maior.

Além da chatice, outra coisa que irrita em Knight Rider é a dificuldade. Acho que precisei jogar a primeira fase umas doze vezes para conseguir passar dela, e olha que estou falando da PRIMEIRA fase! O ímpeto inicial do jogador é pisar no acelerador e sair metendo bala, e se você fizer isso o GAME OVER aparece em meio minuto. A moral do game é andar numa velocidade razoável, combater cada carro inimigo com extremo cuidado para destruí-los sem levar tiros, não deixar escapar nenhum item dos carros verdes e dar o sangue no confronto com os chefões.

A maior importância de abater os carros verdes é para pegar o item “TIME“. Se você não fizer isso, por melhor que esteja jogando, vai subitamente ter seu jogo encerrado porque O TEMPO ACABOU! Sim, Knight Rider é um daqueles irritantes games antigos em que você tinha que correr contra o relógio porque o tempo “acabava”, seja lá o que isso signifique!


Enfim, o game do NES é lembrado como um jogo medíocre/ruim e só é recomendado para retrogamers corajosos, ou que sejam muito fãs da série original, como é o meu caso. Ainda assim, ele é muito melhor do que os concorrentes da época. Um ano antes, em 1987, a normalmente competente softhouse Ocean lançou outro game baseado na série (também chamado “Knight Rider“) para os microcomputadores Spectrum e Commodore 64. Em ambas as plataformas, o game foi considerado uma bomba na época, e ambas as versões possuem reputações infames até hoje. A versão do Commodore 64 consta na 12ª posição na lista dos piores games do computador em todos os tempos, feita pelo tradicional site Lemon64. Existe também um game chamado Knight Rider Special, lançado em 1994 para o PC-Engine, do qual eu não sei absolutamente nada.

O Knight Rider do Commodore 64. Horrível, uma cagada incomum por parte da saudosa Ocean!

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Muito tempo depois do fim da série, em 2003, a Davilex lançou o medíocre Knight Rider- The Game para PC e Playstation 2. Apesar de não ter feito muito barulho e de ser considerado fraco, o jogo ganhou uma continuação no ano seguinte, Knight Rider 2, igualmente lançada para PC e Play2.

Michael Knight e KITT, enfim, se saíram melhores nos videogames do que o bravo quarteto do Esquadrão Classe-A. Mas, de qualquer forma, o melhor jeito de se divertir com esses ícones oitentistas ainda é matando a saudade das séries originais assistindo-as em DVD, jogadão no sofá, bem longe de qualquer joystick.

4 pensamentos sobre “KNIGHT RIDER (NES, 1988)

  1. Parabéns pelo post, conheci seu blog hoje e achei ótimo !

    Jogo desde o Telejogo Philco (1977) e nunca perdi o pique nos jogos !

    Continue assim, o assunto é mesmo apaixonante !

    Xracer

  2. Nunca joguei esse jogo. E agora não jogarei mesmo. Não gosto de jogos de corrida.

    Você me fez lembrar que Mario e Sonic tinham tempo. Qual o real motivo disso? E o objetivo? E qual explicação lógica temos para justificar que o cara morre em alguns minutos, subitamente?

    It’s a Good Question!

    (Tomara que a frase esteja certa. Acho uó quem escreve em inglês e erra. Tô com preguiça de conferir no Google)

    Arrasa Nem!

  3. hello man, Your comment about game are so special, i bookmark yours website to visit any weak, i suggest you visit this blog: hxxp://www.jogosonlaine.[org] – thanks man for this kind of information! John hilario

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